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Setembro 09, 2005

A nossa relatividade (ep. VI)

Não sei quanto tempo passará até à próxima vez, não sei quanto tempo passou entre as duas vezes que tentou, não vos cheguei a contar do comboio, mas também não o vou fazer, deixou marcas em muita gente, não só nele, falo de marcas psicológicas e não físicas, não houve um arranhão sequer para contar uma história que de tão rocambolesca parecia um filme, não foi preciso… Tratava-se agora de matar de dentro para fora, já que de fora para dentro não fora capaz.
Vive num inferno, não tem problemas psicológicos de maior, tirando a depressão da “moda” é uma pessoa absolutamente normal, com um trabalho normal, a quem a vida corre bem, não fosse pela estranha tendência para a tristeza podíamos afirmar que era uma pessoa normal.
Todos os dias anda de comboio para ir trabalhar, largou o carro, que utilizava como desculpa para se isolar mais um bocado, comprou um leitor de mp3, não para ouvir música durante o caminho mas para se abstrair do barulho do mundo, é, o barulho do mundo incomoda-o ás vezes, nessas alturas aumenta o volume, vira-se para a janela e fixa os carris, é aí que ele relembra os passos do dia do comboio, ao contrário da primeira vez, nesta ele lembra-se de tudo com pormenores doentios, nestas e nas alturas em que ouve o comboio aproximar da estação, engraçado, embora neste caso exista uma ligação directa, como pequenas cenas nos trazem á memoria grandes filmes.
O que lhe dói mais, é que quem olha para ele não o vê, ninguém o vê, por vezes nem ele se consegue ver, por vezes tem que fechar os olhos e com muito esforço lá consegue vislumbrar um vulto sempre de costas voltadas, a tristeza não o abandona, mas também, “Quem se preocupa?!”